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10/2003
As novas tecnologias reduzem os custos das expedições de Klink


Os cálculos são do navegador Amyr Klink, que, a partir de novembro, fará mais uma vez a circunavegação da Antártica. Segundo ele, há cinco anos, os custos com a instrumentação necessária para equipar um barco para uma jornada desse tipo giravam em torno de US$ 115 mil. Hoje, com a migração dos instrumentos convencionais para notebooks e outros equipamentos móveis, gasta-se cinco vezes menos. Gasta-se muito menos, também, para utilizar uma boa base cartográfica durante a viagem. Em vez dos caríssimos mapas britânicos, que custam cerca de 40 libras cada e ocupam espaço precioso na embarcação, carrega-se o software Tsunamis Navigator, produzindo pela Transas Nautic, em um bom notebook e o pleno acesso à cartografia mundial está garantido.

No seu novo projeto, Klink terá o apoio da HP para equipar o Paratii 2 e sua tripulação de 6 pessoas com soluções de mobilidade. A expedição terá duração de 90 dias. Durante dois meses, o grupo ficará na Península Antártica. Um dos objetivos de Klink é conseguir boas imagens das grandes ondas, com mais de 20 metros, que se transformam naqueles mares e de pontos distantes, como a ilha de Bouvetoya, o ponto mais isolado do planeta. Klink fez a circunavegação da Antártica sozinho há quatro anos e passou perto da ilha, mas não conseguiu vê-la por causa da neblina.

O Paratii 2 estará conectado por internet e telefonia IP com o escritório de Klink em São Paulo. O barco e o escritório contarão com dispositivos de comunicação "wireless". Quatro câmeras digitais farão, por exemplo, o monitoramento da casa de máquinas, das duas velas e da popa da embarcação. Os notebooks e os computadores de mão serão os terminais de rede sem fio. Klink terá em mãos um telefone IP Cisco e utilizará os serviços de comunicação de Iridium e da Inmarsat. Todos os tripulantes do Paratii 2 carregarão equipamentos GPS.

Klink já chegou a gastar US$ 35 mil em um mês com comunicação usando serviços de transmissão de voz e dados uma hora por dia. Segundo ele, o teto estabelecido para a circunavegação que começa em novembro é de US$ 1,5 mil. Os custos da telefonia por satélite, oferececido pela Iridium ainda são altos, mas tem caido bastante nos últimos anos. Os recursos atuais de telefonia permitem que em poucos minutos grandes quantidades de dados sejam transmitidas. O e-mail será utilizado rotineiramente no Paratii 2. "É difícil conectar um barco na Antártica", diz Klink. "Os satélites não têm pontaria no meio de ondas de 25 metros e as antenas precisam de sistema de computação para fazer a conexão". Os serviços de satélite Inmarsat, com antenas fixas, garantem comunicação de melhor qualidade e maior capacidade de transmissão do que os telefones móveis Iridium. Para colocar todos os equipamentos para funcionar no Paratii 2, Klink conta com geradores eólicos, que produzem energia com vento e garantem corrente contínua. Os notebooks usados na expedição serão equipados com processador Intel Centrino, de baixo consumo energético.

Um dos objetivos de Klink nesta nova circunavegação é visitar as bases abandonadas na Península Antártica para fazer imagens e copiar documentos. Câmeras digitais e uma copiadora multifuncional com scanner serão fundamentais para a execução desse trabalho. Klink disponibilizará imagens e documentos digitalizados ao longo da expedição, mas os custos da transmissão ficarão a cargo dos prováveis compradores. O site do navegador, hospedado no portal Terra, possivelmente, será abastecido com informações sobre a expedição.